quarta-feira, 6 de maio de 2009

semana da arte moderna


O que foi a semana da arte moderna?

A Semana de Arte Moderna aconteceu durante os dias 13, 15 e 17 de fevereiro de 1922, no Teatro Municipal de São Paulo. Cada dia da Semana foi dedicado a um tema: pintura e escultura, poesia e literatura e por fim, música. Apesar de ser conhecida como a Semana da Arte Moderna, as exposições aconteceram somente nesses três dias:

No dia 13, Graça Aranha proferiu a conferência "A emoção estética na arte", na qual elogiou os trabalhos expostos, investiu contra o academicismo, criticou a Academia Brasileira de Letras e proclamou os artistas da Semana como personagens atuantes na "libertação da arte".
No dia 15, Oswald de Andrade leu alguns de seus poemas e Mário de Andrade fez uma palestra intitulada "A escrava não é Isaura", onde se referia ao "belo horrível" e evocava a necessidade do abrasileiramento da língua e da volta ao nativismo.
Na noite do dia 17, houve a apresentação de Villa-Lobos. A Semana prestigiou e promoveu o talento do artista, transformando-o, pela boa acolhida do grande público, na figura máxima do período nacionalista do qual se insere a produção musical modernista.
A Semana de 1922 representa o marco do lançamento público do Modernismo Brasileiro, uma vez que os artistas que lá exibiam suas obras tinham como objetivos a ruptura com as tradições acadêmicas, a atualização das artes e da literatura brasileiras em relação aos movimentos de vanguarda europeus e o encontro de uma linguagem autenticamente nacional. A idéia era atualizar culturalmente o Brasil, trazendo as influências estrangeiras, colocando-o ao lado dos países que já haviam atingido sua independência no plano das idéias, das artes plásticas, da música e da literatura. A partir dela, iniciou-se uma década de polêmicas, provocações, invenções, brigas estéticas, enfim, uma farra que parecia inesgotável, levando Mário de Andrade a afirmar que os oito anos que se seguiram à "festa" do Teatro Municipal foram "a maior orgia intelectual que a história artística registra".
Agora que foi explicado o que foi o evento, seus objetivos, é provável que se pense: Mas, como surgiu a idéia de montar uma Semana de Arte Moderna? Mário de Andrade deixa bem claro, que não foi dele: "Por mim não sei quem foi, nunca soube, só posso garantir que não fui eu". Porém, com a ajuda de registros do livro de memórias de Di Cavalcanti chamado "Viagem de Minha Vida - Testamento da Alvorada", ele assinala que foi ele o idealizador da Semana de Arte Moderna, tendo como um modelo a Semana de Deauville, na França. Assim ele sugeriu a Paulo Prado a realização de "uma semana de escândalos literários e artísticos de meter estribos na burguesiazinha paulistana". Analisando agora o evento, há que se dizer que o público não teve a mesma reação frente aos diferente tipos de arte. As artes plásticas foram as que tiveram melhor repercussão.
OS ARTISTAS

Os artistas que tiveram presença na Semana de 22, foram os poetas Oswald de Andrade, Mário de Andrade, Manuel Bandeira, Guilherme de Almeida, Ribeiro Couto, Plínio Salgado e Sérgio Milliet. Graça Aranha, Ronald de Carvalho e Menotti del Picchia ocuparam-se em explicar as novas teorias. A exposição de pintura tinha obras de Anita Malfatti, Di Cavalcanti, Vicente do Rego Monteiro, Goeldi, como também do escultor Vitor Brecheret e dos arquitetos Antônio Garcia Moya e Georg Przyrembel.
Realizaram-se concertos musicais, destacando-se Villa-Lobos e o pianista Guiomar Novais. O número de dança ficou a cargo de Yvonne Daumerie.
O MOVIMENTO

O Movimento Modernista Brasileiro tomou corpo junto às várias influências trazidas pelos artistas de outros lugares do mundo.
A primeira fase do Modernismo foi influenciada pelo Futurismo europeu trazido por Oswald de Andrade em 1912.
Em 1913, o russo Lasar Segall realizou em São Paulo e em Campinas as primeiras exposições de arte não acadêmicas do país, tida como a primeira mostra de arte moderna.
No ano seguinte, Anita Malfatti, recém chegada da Alemanha, expôs quadros Expressionistas.
Em 1917 apareceram o poema "Juca Mulato" e os livros Cinzas das Horas e Carrilhões, respectivamente de Menotti del Picchia, Manuel Bandeira e Murilo Araújo, anunciadores das transformações pelas quais viriam passar a literatura brasileira.
Ainda em 1917, Anita Malfatti, que havia voltado de outra viagem, realizou sua segunda exibição no Brasil, dessa vez de quadros Cubistas. Sobre ela, o crítico Monteiro Lobato publicou um artigo intitulado A propósito da exposição Malfatti, mais conhecido como Paranóia ou Mistificação no qual atacou violentamente o trabalho da pintora. Porém, um dos efeitos da crítica foi reunir em torno dela todos os jovens artistas de convicção Modernista.
Em 1919, a escultura de Victor Brecheret empolgava a intelectualidade jovem de São Paulo. Ele trazia as influências européias, mas não deixava para trás seu traço nacionalista modernista. Italiano, veio para o Brasil ainda criança. Apesar de seus parentes o chamarem de Vittorio, Brecheret consegue sua cidadania brasileira e a partir de então, assina suas obras com o nome de Victor.
Como pode-se ver, a luta pela quebra de paradigmas era o principal objetivo da Semana. A criação de uma arte culturalmente brasileira, que se fundisse com as influências internacionais e provocasse em choque na burguesia, como expressou anteriormente, Di Cavalcanti. Mas nessa passagem, nota-se uma contradição: Os artistas que expuseram seus trabalhos durante a Semana, eram burgueses o suficiente para viajarem para muitos países, e a partir das inovações que traziam da Europa, propor uma mudança na cultura brasileira.

Um comentário:

  1. amamos arte moderna e gostamos do canto de regresso a patria nos somos alunas do colegio joao alvis bruna maya

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